Então vamos lá para a parte complicada da história: por que eu desisti de continuar a ser au pair? Isso também responde porque a demora enorme pra chegar esse post, tive a mudança e adapção no novo lugar.
Desde o começo eu sabia que ficaria com a minha família por cerca de 3 meses, porque eles iriam se mudar para os Estados Unidos em fevereiro. Mas como eu senti uma "boa vibração" dessa família, decidi ir mesmo assim e depois iria para outra família (que a agência disse ser possível). Bom, esse era o plano... Mas a verdade é que eu não curti ser au pair, e sei que muitas meninas que foram/são irão discordar comigo, mas pra mim não deu certo. Li alguns blogs de outras au pairs e sempre via elas falando de como amavam a família, como iriam sentir falta das crianças, como adoravam a experiência. E os casos que não deram certo era porque a família não era legal, tratava mal, enfim... Então pensei: se a família for legal não terei problemas, certo?
Não é tão simples, e varia muito da situação de cada menina no Brasil. Eu por exemplo não morava mais com meus pais fazia 5 anos, morei com a minha irmã mas já dá pra ter uma boa noção de como é ficar "independente". E pra mim foi muito estranho morar na casa de alguém (ainda mais dos meus chefes, digam o que quiserem mas os pais das crianças te contrataram), já tinha meu jeitinho de limpar, organizar, cozinhar. E me julguem: eu não gostei de cuidar das crianças! Eu gostava muito delas, mas era cansativo, cheguei a pensar que era uma pessoa horrorosa por não estar gostando de passar tempo com elas. E isso foi bem dificil, mas acho que estava tentando forçar uma situação que deveria acontecer naturalmente, como pais e filhos. Não me levem a mal elas sabem ser uns amores, mas passar 7/8h por dia montando uma torre de Lego para eles destruirem e falarem: "monta de novo" foi entediante pra mim, a hora não passava.
Isso quando não tinha choro, briga ou "eu não vou fazer isso", "a minha mãe que vai escovar os meus dentes". Sério, quando você fica uma tarde com uma criança isso é ok, mas todos os dias vai esgotando a gente. E eu percebi que eu estava ficando mais estressada do que devia e isso também não iria ajudar a melhorar as crises das crianças. Aí entra outra questão importante da vida de uma au pair: a disciplina das crianças. Logo que decidi fazer mesmo o programa, ganhei um livro ótimo sobre educação infantil e achava que seria A super nanny. Depois fazendo o curso de babá e lendo mais a respeito me toquei que esse não era o meu trabalho. A função da pessoa que toma conta da criança é seguir a linha de disciplina dos pais, até porque se todos não trabalharem juntos como um time isso só deixa a criança mais confusa. Então como proceder se a criança tem um mau comportamento que você vê que só piora com o tipo de disciplina que usam? Eu sabia que não tinha muita chance de melhora e isso foi me deixando ainda mais frustrada. - em um post futuro vou falar mais sobre isso.
Enfim, os motivos foram vários, talvez alguns achem que não fazem sentido, mas hoje não me arrependo da minha decisão. Não me arrependo de ter sido au pair, aprendi muita coisa, e uma delas é que isso é muito legal mas não combina comigo. E que é ok desistir as vezes, pelo menos eu tentei, e complicado seria ter que continuar infeliz com a situação.


